terça-feira, 17 de setembro de 2013

À ESPOSA 
Sotero dos Reis

Se lá na eterna glória a que voaste,
A lembrança do mundo se consente,
Aceita, alma piedosa, a dor pungente
De tudo quanto aqui idolatraste :

O esposo, a filha, os filhos que deixaste,
Em mágoas e saudade permanente,
Vivem na terra vida descontente
Des' que as corpóreas vestes tu largaste.

Ao seio de Deus, tornas radiante
De virtude e bondade, qual saíste
Imaculada de nascer no instante :

A nos queixosos neste vale triste
Volve-te como foste sempre amante,
Porque entre nos só amargura existe !


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